a note to self

Você não precisa ser produtiva ou manter sua rotina. Tudo é diferente agora, então, vamos viver como o presente simplesmente é. Talvez você esteja mais distraída, suas refeições já não sejam no mesmo horário de sempre e seu ritmo de sono tenha mudado. Mas, e daí? É um erro terrível se esforçar tanto para se sentir produtiva como você era antes. Agora é tempo de ser gentil e abraçar um sentimento de profunda aceitação, permitindo-se ser mais livre do que nunca. Mesmo estando em casa.

Assim, talvez esta seja a nossa chance de não apenas refletir, mas também sentir verdadeiramente, confrontando alguns aspectos que apesar de escondidos, existem. Envie mensagens, tire sonecas, nutra-se com aquilo que possa te fazer feliz e viva livremente até que você encontre o que é melhor para você agora. Sei que não é fácil porque nós geralmente somos nossa crítica mais intransigente, mas, só dessa vez, respire. Confie em novos e melhores tempos.

Você e seus recursos

“At the end of the day, we can endure much more than we think we can” diz o meu papel de parede do celular. A frase é da Frida e em toda a sua leveza, ela já nos dizia que, sim, somos capazes de suportar muito mais do que pensamos ser. Talvez, agora seja o fim de um dia difícil, talvez em algum momento você tenha se perdido. Está tudo bem.

Referências internas devem emergir nesses instantes e nos lembrar de todos os pontos altos de nossa própria história, pequenas e grandes conquistas que todas nós carregamos. Eu falo das lágrimas enxugadas sozinhas, das manhãs cheias de sono e cansaço, de quando estudar e trabalhar era difícil, mas mesmo assim você estudou e trabalhou. Falo da solidão de não conseguir se expressar e de todas as vezes em que você se doou mesmo quando precisava receber. Aprenda a construir troféus para si mesma e a coloca-los em prateleiras sólidas e reluzentes. Aprenda a resgatar suas memórias mais intensas e a ama-las diariamente.

Enxergar os acontecimentos como uma oportunidade de crescimento e evolução tem sido um passo essencial na minha vida. Espero que também seja na sua e que cresçamos sempre mais, sendo livres e selvagens como nascemos para ser.

Mostro, logo existo.

Eu vivo momentos incríveis no meu dia: tomo bons cafés, ouço músicas de qualidade, como comidas deliciosas e ando por lugares lindos. Mas, ainda assim, muitas vezes, esses momentos deixam tanto a desejar…. é como se eles não fossem suficientes, como se faltasse um quê cinematográfico além da própria cena. E basta reparar um pouco que logo sei que o é: falta a câmera e falta, principalmente, o público. Afinal, parece que quase não vale a pena viver se as pessoas não souberem que eu vivi e se o momento passar sem uma boa fotografia, pior ainda… mais uma chance de um feed de sucesso perdida.

Tento entender porque muitos de nós vivemos nesse padrão e penso se ele pode ser realmente prejudicial ou não. Talvez nós só queiramos guardar recordações, compartilhar bons momentos com nossos amigos ou inspirar alguém a também fazer algo que nos faz bem. Mas, existe um problema que inevitavelmente aparece e que acaba com toda autenticidade da intenção. Queremos mais que um público, queremos uma interação, uma resposta, um aplauso, uma crítica, um fã, um hater. E quando deixamos de mostrar ou não recebemos absolutamente nada de volta, é um fracasso, um fim. Sentimos frustração, angústia, um questionamento intenso sobre a pessoa que somos e a que gostaríamos de ser. Pesquisamos, procuramos, compramos absolutamente qualquer coisa para fazermos melhor, recebermos mais!

A beleza que vemos é um reflexo do que existe em nós

Acredito que essa é a parte triste do nosso existir. Se não mostrarmos é como se nunca tivesse acontecido e é péssimo ver as pessoas mostrando refeições incríveis, festas divertidíssimas enquanto você está no sofá comendo miojo, ou pior, se divertindo tanto quanto, mas sem nenhum público para ver.
É um fenômeno que começou com o Snapchat e que se acentua com os Stories do Instagram, ferramenta que nos dá muito mais visibilidade. Não acredito que a solução seja o abandono das plataformas ou a condenação da atitude, criticar a sociedade moderna e digital é realmente uma perda de tempo, já que ela também nos traz tantas coisas boas (e vamos concordar que criticar as redes sociais é simplesmente uma chatice). Eu acredito que a melhor solução seja, na realidade, um equilíbrio entre o que é maravilhoso e só nós sabemos e o que é maravilhoso e queremos mostrar. Talvez um primeiro passo seja entender que as redes sociais são como vitrines e que ver coisas bonitas é importante e nos traz muita inspiração, mas, que nem por isso precisamos viver exclusivamente dentro delas. Tudo bem se só você souber, aconteceu da mesma maneira e deixou uma marca em você que talvez ninguém veja nitidamente, mas que certamente aparecerá de uma forma muito mais efetiva. Afinal, a beleza que vemos é um reflexo do que existe em nós.

Life takes time

Essa frase não é minha, quem dera fosse, porque é uma das minhas favoritas. É possível concluir uma infinidade de coisas, e eu, particularmente, interpreto como a vida é simplesmente um grande fone de ouvido cheio de pequenos nós, que exigem esforço e tempo para desatá-los, para alcançar a alegria de se escutar uma boa música. Mas tudo bem também se alguns nós forem Continuar lendo